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Reúna recebe Phil Lambert para debate sobre modelos curriculares e inspirações internacionais para a educação brasileira

Para fomentar o diálogo sobre a importância do currículo na educação e promover a reflexão de como as redes de ensino brasileiras podem se inspirar em reformas curriculares internacionais de sucesso, o Instituto Reúna convidou o Dr. Phil Lambert, especialista em educação e responsável por liderar importantes adaptações e reformas no campo educacional em diferentes países, para uma apresentação a profissionais do setor.

Realizado em 28 de abril, em São Paulo, o encontro foi o primeiro de uma série organizada em parceria com a Fundação Lemann e o Movimento pela Base. Phil, que também é conselheiro do Reúna, iniciou dando exemplos globais de reformas curriculares, citando as competências prioritárias nos currículos de oito países, entre eles a Austrália – onde foi responsável por liderar o desenvolvimento do primeiro currículo. 

Apesar das diferenças existentes entre as reformas de cada localidade, por conta das particularidades regionais, Phil comenta que alguns temas comuns são observados, como a economia baseada no conhecimento, a cidadania, a coesão social e a diversidade, as características pessoais e sociais e as habilidades para a empregabilidade.

Nesse último quesito, por exemplo, o especialista citou o caso do Japão, que no acesso dos estudantes às universidades vai além da aplicação de provas. “As escolas dão informações sobre as competências necessárias, como resiliência, criatividade, capacidade de resolver problemas, entre outras que são valiosas na busca por um emprego”, explica. “Se eu pudesse dar um conselho, diria para olhar para essas competências e refletir. O que significa ser brasileiro ou um cidadão global? Em algumas partes do mundo, ter noção de cidadania é algo forte, mas sempre respeitando a diversidade e a inclusão”, afirma. 

 

O que observar em uma revisão curricular

Diferentes aspectos podem motivar uma rede de ensino a realizar uma revisão curricular. De acordo com Phil Lambert, os principais giram em torno de fatores como a economia baseada no conhecimento, as mudanças tecnológicas – como o advento da IA, as mudanças climáticas ou de normas sociais e desigualdades globais, além dos impactos da pandemia, que ainda reverberam na educação. 

“Em uma reforma curricular, é preciso existir coerência, tendo em mente qual o conhecimento esperado que os estudantes adquiram, mas também como será a formação dos professores para que isso aconteça e qual será o sistema de avaliação a ser utilizado, que deve refletir o que é esperado pela rede com essa reforma”, pontuou.

Phil acrescenta outro fator importante em um trabalho de revisão curricular: a força das lideranças. Afinal, segundo o especialista, “uma reforma é mais fácil de acontecer quando existe uma liderança forte, com a disposição necessária para aceitar os revezes que podem ocorrer durante o processo de implementação de mudanças.”

 

Currículos flexíveis

Na apresentação, o conselheiro do Instituto Reúna também abordou a possibilidade de as redes de ensino optarem por outro caminho na revisão curricular, adotando um modelo de currículo flexível e digital, que favorece a atualização conforme as necessidades educacionais. 

“Na Austrália, por exemplo, colocamos opções de eventos e feriados para serem explorados como questões locais, que as escolas têm liberdade para escolherem ou não trabalhar em sala de aula. Precisamos educar para que o currículo seja relevante, incluindo novos temas conforme a necessidade, sem esperar anos para isso”, aponta. 

Aqui no Brasil, o Instituto Reúna desenvolveu os Mapas de Foco, uma ferramenta que apoia as escolas e as redes de ensino que desejam flexibilizar o currículo por meio da priorização das aprendizagens essenciais previstas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para a Educação Básica. Os Mapas de Foco podem ser utilizados como o principal guia para escolhas de apoio e reforço escolar a fim de diminuir a distância entre o que se espera que os alunos aprendam e o que de fato estão aprendendo.

“Os Mapas não substituem o que dispõe a BNCC ou os currículos de referência, pois estes apresentam o conjunto de aprendizagens essenciais e inegociáveis ao qual os estudantes têm direito. Ao contrário, referenciam-se na Base, consolidada como o coração das políticas curriculares dos Estados e Municípios e, a partir dela, converte-se em estratégia que orienta e apoia as redes”, explica Katia Smole, diretora-executiva do Reúna.

Para conhecer os Mapas de Foco e entender se ele faz sentido para a revisão curricular da sua escola ou rede, clique aqui e saiba mais.

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