Como e quando usar Mapas de Foco, Mapas Redes ou Mapas Escola

Apesar de 98% de crianças e adolescentes de 6 a 14 anos de idade estarem matriculados no ensino fundamental das escolas públicas antes da pandemia causada pelo Covid-19, um dos principais desafios da educação brasileira ainda era garantir que eles aprendessem o que estava previsto na idade certa.

Em 2020 e 2021, esse desafio se acentuou ainda mais, uma vez que as aulas foram paralisadas e ou lecionadas de forma remota ou híbrida (presencial e remoto) para conter os danos da pandemia, refletindo não apenas na garantia das aprendizagens previstas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), mas também na diminuição das taxas de matrícula e/ou frequência dos estudantes. Um cenário, é claro, em que educadores, gestores, e até mesmo os estudantes e a comunidade escolar, não estavam preparados. Ainda assim, adaptações foram feitas, principalmente, de caráter material-estrutural, como acesso à internet e equipamentos de tecnologia, formação dos professores para adaptação ao novo cenário, adaptações na infraestrutura das escolas e etc.

Para assegurar que a aprendizagem continue acontecendo nesse cenário sem que haja um maior aprofundamento das desigualdades educacionais, foi necessário pensar em um planejamento pedagógico que atendesse às especificidades de um novo processo de ensino e de aprendizagem sem interação presencial entre professores e estudantes, levando em consideração o tempo pedagógico reduzido. Diante dessa situação, por meio do Parecer 19/2020, o CNE (Conselho Nacional de Educação) orientou os Sistemas de Ensino a elaborarem, para os anos letivos de 2020/2021, o “continuum curricular”.

O continuum curricular acontece no momento em que a rede de ensino faz a seleção das aprendizagens para os anos letivos 2020/2021, priorizando habilidades que são indispensáveis e flexibilizando o Referencial Curricular da Rede para elaborar – de forma articulada e coerente – o planejamento das estratégias pedagógicas, junto às políticas educacionais de formação de professores, avaliação dos estudantes e produção/seleção de materiais didáticos, como apoio aos professores nas práticas de ensino e aprendizagem.

Pensando na mitigação das defasagens na qualidade da aprendizagem dos estudantes e na implementação dos direitos de aprendizagem aos estudantes estabelecidos pela BNCC, o Instituto Reúna lançou, em parceria com o Itaú Social, os Mapas de Foco da BNCC, material que prioriza as habilidades da BNCC previstas para os anos iniciais e finais do ensino fundamental, para Língua Portuguesa, Matemática, Ciências Humanas e Ciências da Natureza. Os Mapas foram feitos a partir de uma análise que levou em consideração as relações que as aprendizagens estabelecem com as unidades temáticas, os objetos de conhecimento, as demais habilidades previstas para o ano/etapa e suas progressões, e o foco no desenvolvimento integral dos estudantes.

Ao apresentar a priorização das habilidades, relevante para este cenário que empurra as redes para a recuperação das aprendizagens do ano anterior que não foram efetivadas e as aprendizagens do ano corrente num curto tempo de exposição dos estudantes ao ensino, os Mapas de Foco da BNCC e seus materiais de apoio podem ser grandes aliados para enfrentar esse momento de mitigação das defasagens de aprendizagem.

Mas o que são esses materiais de apoio e como usá-los?

Pensando de maneira estratégica para apoiar na mitigação das defasagens de aprendizagem no cenário de pandemia, desenvolvemos, também junto ao Itaú Social, dois materiais complementares e articulados com os Mapas de Foco: os Mapas de Foco nas Redes e os Mapas de Foco na Escola.

O Mapas de Foco nas Redes apoia as equipes técnicas das Secretarias de Educação, gestores escolares e coordenadores pedagógicos na elaboração do planejamento para o processo de flexibilização curricular, considerando a perspectiva da educação integral e integradora presente na BNCC. Esse apoio para as redes se traduz em orientações e sugestões para a elaboração do planejamento pedagógico, articulando as estratégias voltadas para:

  • a priorização das aprendizagens descritas no Referencial Curricular da Rede
  • a implementação de processo avaliativo numa perspectiva formativa
  • a necessidade de apoio para a formação de professores
  • o processo de seleção de materiais didáticos
  • a estratégia de acompanhamento pedagógico

 

O segundo material foi construído para apoiar os coordenadores pedagógicos na estruturação e realização de encontros formativos, de até duas horas, com sua equipe de professores. Os Mapas de Foco na Escola apresentam trilhas compostas por um conjunto de pautas formativas organizadas por etapa do Ensino Fundamental, as quais orientam o uso dos Mapas de Foco, em um contexto de flexibilização e/ou continuum curricular; além de ampliar, aprimorar e desenvolver as competências dos docentes com relação à organização e planejamento, a fim de favorecer a progressão das aprendizagens dos estudantes.

Esses materiais todos foram organizados para que as redes e as escolas conheçam estratégias para realizarem a implementação do continuum curricular, tanto em nível de gestão como em nível de formação dos professores e, dessa forma, consigam adequar às suas próprias realidades.

Os materiais são gratuitos e já estão disponíveis em nosso site desde março de 2021 e têm sido utilizados por educadores e gestores.

Na rede municipal de Araxá-MG, por exemplo, os Mapas de Foco foram utilizados por gestores e professores para apoiar na flexibilização curricular, por meio da identificação das habilidades prioritárias. Quem nos contou isso foi a Ellen Borges, da área de coordenação pedagógica.

Já na escola municipal Tancredo Neves, em Ibirama-SC, Jonathan Schaeffer, gestor escolar da E.M, conta que os Mapas de Foco foram essenciais para o desenvolvimento de uma avaliação diagnóstica no início do ano.

Edvanir da Silva, da diretoria de ensino da SME de Rio Maria, no Pará, nos escreveu contando que os Mapas de Foco nas Redes também serviram como bússola para o plano de ação realizado pelos técnicos da rede municipal.

Como você pode ver, são diferentes os perfis dos profissionais de educação que utilizam os materiais para apoiarem suas ações a favor da aprendizagem, como construção de currículo flexibilizado, desenvolvimento de avaliações, formações e seleção de materiais didáticos. Você já conhece? Já usou? Então escreva pra gente também contando sua experiência em contato@institutoreuna.org.br

Ainda não conhece? Então acesse:

Para conhecer os materiais, acesse: 

 

* Por Fabiana Cabral Silva e Graziela Santos

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3 Comentários

  • PAULO 3 semanas atrás

    Maravilha!

  • CLAUDETE HOFSTATTER 3 semanas atrás

    Olá. Tudo bem?
    Sou a Professora Claudete Hofstatter de Mondaí, extremo Oeste de Santa Catarina.

    No início do ano de 2021 tivemos Planejamento/formação pedagógica. Nesta oportunidade fomos apresentados ao Site do Instituto Réuna, que em parceria com o Itaú Social e apoio institucional da Fundação Lemmann e Imaginable Futures idealizou ainda em 2020 os MAPAS DE FOCO, estes que trazem em suas orientações uma seleção de habilidades focais para cada ano do Ensino Fundamental.
    Em decorrência das análises e estudo dos Mapas de foco, uma busca por inovação diante de um contexto de pandemia e de um aprender/ensinar matemática de maneira contextualizada à realidade social do aluno a partir das habilidades focais desencadeamos o PROJETO DIÁRIO DE APRENDIZAGEM MATEMÁTICA: CONTEXTUALIZANDO HABILIDADES FOCAIS.
    Ademais, com o retorno das aulas presenciais de forma gradativa a partir do mês de março de 2021, sendo feita a aplicação da avaliação diagnóstica aos alunos do 3º ano, à medida que retornavam, foi possível identificar quais seriam as habilidades focais, ou seja, as habilidades que os alunos demonstraram dificuldade e que precisavam ser trabalhadas num 1º momento. Conforme descrito, era urgente e de crucial importância trabalhar com esses alunos as dificuldades diagnosticadas e inserir a criança em um contexto de práticas sociais, mostrando a eles a praticidade dessa matemática no seu próprio contexto. Para potenciar essa construção de conhecimento criamos o Diário de Aprendizagem de cada aluno. O qual se tornou uma ferramenta primordial e de extrema relevância ao longo das atividades, auxiliando no desenvolvimento das habilidades dos alunos e se tornando uma ótima estratégia de avaliação, tanto para a professora, bem como para os próprios alunos.

    Para finalizar, Reconheço que a formação continuada do início do ano me tornou sensível, me mostrando de como agir com os meus alunos e principalmente me mostrou direcionamento frente suas habilidades trazidas. Desde muito cedo os alunos devem ser incentivados a exercitar as habilidades de pensar e de buscar soluções para os problemas que encontrarem. Compreendendo desta forma, eu como mediadora de conhecimento, aprendi que é preciso ser flexível nos momentos que passo com meu aluno, cabe a mim entender e saber o que ele necessita e está me mostrando. Conciliar minha organização de prática à aprendizagens exploratórias e exitosas, é dar oportunidade oferecendo equidade à meus alunos.

    Cordialmente,
    Claudete Hofstatter

  • Claudia Carvalho Chaves 3 semanas atrás

    Material de excelência.. Parabéns a todos